O Pai Nosso – Parte 1

A ORAÇÃO DO SENHOR

Mateus 6.9-13

 

Considerações preliminares

Há por vezes, grande equívoco por parte das pessoas quanto à oração do Pai Nosso.  Alguns acreditam que ela deve ser repetida a cada domingo, pois é uma “oração dominical”. Outros a repetem, pois “não sabem como orar”. Ainda existem aqueles que olham para essa oração de forma mística, acreditando que “ela tem poder”. A razão de tudo isso, é uma interpretação equivocada do Texto Sagrado, tal qual ocorre em outras partes. Vejamos alguns exemplos:

  • Mateus 18.20 – Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.
  • Filipenses 4.13 – Tudo posso naquele que me fortalece.
  • Provérbios 22.6 – Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.

 

Contexto da oração

Mas, qual o contexto em que está inserida esta oração? Ao contrário do que normalmente acontece, temos aqui dois contextos:

  • Contexto amplo – Ensino geral e amplo no sermão do monte (Mateus 5-7);
  • Contexto específico – Ensino de Jesus acerca da oração (versos 5-15).

Algo de fundamental importância a ser lembrado aqui, é que tudo o que Jesus faz, sempre tem um objetivo e nesta oração não é diferente. Assim, ficamos a pensar: qual o objetivo ou quais os objetivos desta oração?

É preciso ressaltar que para os judeus a oração não era um ato meramente religioso; era antes, parte de sua vida, assim como o comer, beber, respirar. Assim, a oração ensinada por Jesus, tem dois objetivos específicos e que estão profundamente interligados:

  1. Servir de parâmetro para as demais orações (verso 9a);
  2. Ensinar como orar (verso 9a).

 

Servir de parâmetro para as demais orações

Ao contrário do que muitos pensam, Jesus não estava ensinando uma oração que deveria ser repetida dominicalmente. A oração do Pai nosso, deveria antes, servir de parâmetro para as orações do povo de Deus. Perceba que a orientação de Jesus não foi: “vocês repetirão assim”, mas “vós orareis assim” (09).

Jesus está estabelecendo aqui um parâmetro, referência ou padrão a ser seguido. Ele não está determinando que tal oração seja repetida sempre e da mesma forma. Pelo contrário, ele está estabelecendo princípios que devem ser observados sempre que oramos.

 

Ensinar como orar

A regra magna da interpretação bíblica, nos diz que devemos comparar Escritura com Escritura. Portanto, para entendermos melhor, Mateus 6.9-15, devemos voltar nossos olhos para o texto correspondente: Lucas 11.1-4. Nesse texto de Lucas, percebemos que um dos discípulos de Jesus, havia pedido para que ele os ensinasse a orar. Logo, um segundo objetivo desta oração é claro: que os discípulos aprendessem a orar, pois o pedido de um deles foi: “Senhor, ensina-nos a orar como também João ensinou aos seus discípulos”. Destarte, o Dr. Hermisten Maia, citando João Calvino, ressalta que:

“Na oração do Senhor – que é a oração representativa de todas –, encontramos uma fórmula, um roteiro, no qual o Senhor Jesus nos propôs tudo quanto dele é lícito buscar, tudo quanto conduz ao nosso benefício, tudo quanto é necessário suplicar.”¹

R.C Sproul, segue na mesma linha de pensamento ao ressaltar:

“Observe que Jesus disse: ‘Vós orareis assim’, e não: ‘Vós orareis esta oração’ ou: ‘Fareis esta oração’. Há algumas perguntas sobre se Jesus não queria dizer que devemos repetir sempre esta oração. Não estou atacando o uso da Oração do Pai Nosso. Não há certamente nada errado em seu uso na vida pessoal do crente ou na vida devocional da igreja. Contudo, Jesus não estava nos dando uma oração a ser recitada, e sim um padrão para nos mostrar a maneira como devemos orar. Jesus estava nos dando um esboço de prioridades ou de coisas que devem ser prioridades em nossa vida de oração.”²

Outrossim, Sproul ressalta ainda que “no sublime exemplo da Oração do Pai Nosso, vemos as prioridades da oração. Podemos também detectar um padrão de oração, um movimento que começa com adoração e se dirige, finalmente, à petição e suplica”.³

 

Rev. Elivanaldo Fernandes

 


1 – COSTA, Hermisten Maia Pereira da. O Pai nosso. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001.

2 – SPROUL, Robert Charles. A oração muda as coisas? São Paulo: Editora Fiel, 2012.

3 – Ibidem.