O Pai Nosso – Parte 4

Primeira petição

Um aspecto de fundamental importância nessa oração diz respeito à santidade de Deus: “Santificado seja o teu nome” (9c). Nos achegamos a Deus como nosso Pai, mas não podemos, em hipótese alguma, esquecer que ele é igualmente santo. Isso significa que devemos nos aproximar dele com absoluto temor e tremor, ou seja, devemos ser reverentes em nossa adoração.

É muito comum as pessoas oferecerem a Deus o que elas acreditam que ele deseja sem, contudo, observarem as prescrições de sua Palavra. Um exemplo claro é a oferta de Nadabe e Abiú (Levítico 9.16 – 10.3). Deus deve ser adorado conforme prescreveu em sua Palavra, não segundo nosso coração. Destarte, santificar o nome de Deus, implica como diz Barclay: “Que o nome de Deus seja tratado de maneira diferente de todos os outros nomes, que lhe seja dada uma posição absolutamente única entre todos os nomes”¹.

Quando oramos dizendo: “santificado seja o teu nome”, estamos declarando que Deus é digno de louvor, honra e glória. Não obstante, devemos fazê-lo não como se houvesse em Deus alguma necessidade e/ou carência de ser reverenciado ou adorado, mas porque de fato ele é merecedor. Como afirma Sproul: “Deus exige ser tratado como santo, porque ele é santo. Ele é zeloso de sua honra. Ele não implora por respeito nesta passagem. Antes, a passagem é uma afirmação de um fato: Eu serei tratado como santo”². Assim sendo, o Catecismo Maior de Westminster, nos ensina que quando pedimos que Deus santifique o seu nome, estamos,

 

“Reconhecendo a inteira incapacidade e indisposição que há em nós e em todos os homens, de honrar a Deus, como é devido, pedimos que ele, pela sua graça, nos habilite e nos incline, a nós e aos demais, a conhecê-lo, confessá-lo e altamente estimar, a ele e a seus títulos, atributos, ordenanças, palavras, obras e tudo aquilo por meio do   qual ele se dá a conhecer; a glorificá-lo em pensamentos, palavras e obras, que ele impeça e remova o ateísmo, a ignorância, a idolatria, a profanação e tudo quando o desonre; que pela sua soberana providência dirija e disponha tudo para a sua própria glória.”³

 

O nome de Deus é uma expressão de quem ele efetivamente é. É uma representação do seu ser, de seus atributos e glória. Para o judeu, o nome é mais que um título, representa que ele é (Gênesis 3.20, 5.29, 25.25); Êxodo 2.10; Mateus 1.21). Assim, quando um judeu buscava glorificar a Deus, via de regra, ele o fazia exaltando seus maravilhosos atributos e seus grandiosos feitos (Salmo 19.1-2, 103.7, 136; Isaías 25.1). Santificar o nome de Deus, portanto, significa mais que oferecer a ele, nosso culto público e/ou coletivo. Implica antes, em honrá-lo por quem Ele é e isto, deve acontecer em nosso labor diário, em nossas conversas, brincadeiras, relacionamentos e estudos. Enfim, em tudo quanto fazemos ao longo da nossa vida, conforme nos ensina o apóstolo Paulo em I Coríntios 10.31-33.

Em seu catecismo Lutero pergunta: “Como é santificado entre nós o nome de Deus?” E sua resposta é: “Quando tanto nossa vida como nossa doutrina são verdadeiramente cristãs”, quer dizer, quando nossas convicções intelectuais e nossas ações práticas são a expressão de uma submissão total à vontade de Deus.⁴

Continua…

 

Rev. Elivanaldo Fernandes

 


[1] Cf. BARCLAY, William. Op. Cit. pág. 222.

[2] Cf. SPROUL, R. C. Op. Cit. pág. 36.

[3] Cf. O Catecismo Maior de Westminster. Op. Cit. pág. 267.

[4] Cf. BARCLAY, William. Op. Cit. pág. 226.