A crise hermenêutica contemporânea

Talvez nunca em toda a história as Sagradas Escrituras estiveram tão disponíveis e foram tão lidas como hodiernamente. Não obstante, nunca foram tão banalizadas pelo homem, quanto tem sido em nossos dias. Cada um tira para si o que lhe interessa, dispensando o restante de seus ensinamentos.

Com o avanço da tecnologia e da suposta intelectualização da sociedade faz-se perceber uma crescente rejeição das Sagradas Escrituras como Palavra de Deus inspirada e isso ocorre nos mais diversos patamares sociais e independe de cor, raça, religião ou sexo. Infelizmente tal rejeição tem adentrado os portões eclesiásticos arrebatando alguns que enredados por tais conceitos esmorecem em sua fé.

Havendo sucumbido diante de tais argumentos é estabelecida uma crise hermenêutica, visto que não haverá valores absolutos a balizar as interpretações que serão feitas a partir do texto bíblico. Destarte, devemos levar em conta ainda que vivemos numa sociedade antropocêntrica e hedonista. Uma sociedade que vive uma permanente crise de identidade e esta acaba por gerar outras crises, como por exemplo, a crise de autoridade. E uma vez estabelecida essa crise de autoridade gera-se repúdio a qualquer pessoa e/ou ensinamento que “fira” o direito de liberdade intelectual e de ação, estabelecendo limites ou regras que determinem o que cada um deve ser e pensar.

Levados por tais conceitos, muitos a exemplo dos teológicos contemporâneos passam a interpretar as Sagradas Escrituras a partir de um ponto de vista sociológico negando, como exposto acima, sua autoridade e inspiração.

Outro aspecto que precisa ser considerado é o conceito de verdade, pois se não existem valores absolutos, sendo tudo relativo, logo a interpretação das Sagradas Escrituras deve ocorrer em conformidade com o que cada um entende como verdadeiro ou adequado. Diante de tal realidade, os desafios da interpretação e consequente aplicação das Sagradas Escrituras são imensos, a começar pelo resgate do reconhecimento de que estas procedem de Deus e que são elas que devem balizar, não apenas nossos pensamentos, mas igualmente nossas práticas. Faz-se igualmente necessário um investimento massivo na vida das nossas crianças, adolescentes e jovens que têm sido doutrinados nas escolas, mídias sociais e em diversos outros meios, a partir de elucubrações humanas e que estão em completa oposição a Palavra de Deus.

Diante do exposto concluímos que o grande desafio para o Brasil e que certamente é verdadeiro para as demais nações, é reconhecer a autoridade e inspiração das Sagradas Escrituras, de forma que elas passem a reger o que pensamos, somos e praticamos. Não bastando apenas leitura superficial das mesmas, mas um aprofundamento mediante o entendimento do que os escritores bíblicos, de fato, intencionavam dizer e ensinar.

 

Rev. Elivanaldo Fernandes